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Assistimos com atenção, preocupação e muito respeito aos Movimentos de Rua de junho e julho deste ano. Em junho, os Movimentos foram liderados por jovens, tendo por estopim inicial o aumento das passagens de ônibus, fim de pedágios, bandeira que se estendeu com reivindicações de outras ordens, incluindo condições de vida, estudo, profissionalização, transporte, segurança, moradia e respeito às necessidades da população de modo geral.
O POVO NAS RUAS QUE SE VÊ II

Por Marcus Alves
Em julho, vimos uma carona ao Movimento tomada pelos sindicatos, cuja repercussão não teve grande efeito, já que os movimentos iniciais, totalmente nascidos da iniciativa popular jovem, não deram abertura para carona de sindicatos, partidos políticos ou representação de quaisquer outras categoriais.
O Movimento, portanto, teve seu nascedouro realmente da iniciativa popular, sendo portanto puro, razão pela qual chamou a atenção dos governantes e da imprensa mundial. Organizado e mobilizado especialmente por jovens, mostrou que estavam enganados os que propalavam que a juventude brasileira não se interessa por política.
Na verdade, a juventude está decepcionada com a política e com a forma de condução do poder que os integrantes de cargos eletivos vêm realizando. Com os Movimentos de Rua de junho último, os jovens demonstraram que são politizados, sim, e estão prontos para arregaçar as mangas e participar da construção do futuro do país.
Após os Movimento, o IBOPE ouviu cerca de 2 mil manifestantes nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Fortaleza, Salvador e Brasília, concluindo que 89% dos entrevistados se interessam por política, sendo que 61% têm muito interesse e 28% têm interesse mediano. Segundo cientistas políticos, o índice de interesse por política não costuma ultrapassar 20%, o que demonstra ter havido uma grande mudança de postura da população, especialmente dos jovens. Aparentemente, os jovens brasileiros estavam inseridos num modelo de consumo apático e no individualismo, mas os Movimentos de Rua demonstraram que o jovem de hoje está de olho na política e pronto para reivindicar melhores condições de vida e respeito dos gestores públicos para a classe produtiva.
E esta é uma conclusão muito positiva, pois a participação política do jovem é fundamental para influenciar positivamente a gestão pública e abrir o debate em todos os segmentos da sociedade. E esta participação se faz através da presença de cidadãos nos partidos políticos, bem como através da participação no sistema representativo (candidaturas, campanhas eleitorais e exercício de mandatos).
O jovem de hoje deve participar da política não apenas votando, mas também militando nos partidos e levando ideias e projetos que tornem a política mais justa e limpa a cada dia. Através da política partidária é possível ao jovem colocar em prática projetos com resultados efetivos para o povo, planejar o futuro e alterar para melhor o futuro da população.
Plantamos hoje e colhemos amanhã. O fruto das mobilizações populares jovens já foram sentidos, mas não podem parar. O jovem precisa se preparar, se politizar e participar das agremiações partidárias para levantar sua bandeira e tornar real sua voz. É preciso continuar o movimento, agora nas fileiras partidárias, para que o jovem alcance o poder e possa tornar reais seus projetos, colocando-os em votação através de projetos de lei, de comissões, mobilizando as associações, instituições e grupos sociais.
Os novos gestores públicos são lideranças que saem do povo. A voz da juventude já saiu da garganta e ganhou as ruas nos Movimento Populares de junho, mas não podem agora simplesmente adormecer nos livros de história e se tornarem um momento a ser lembrado nos bancos escolares das gerações futuras.
As instituições filantrópicas, associações sem fins lucrativos, grupos sociais, grêmios estudantis, muito podem fazer assistencialmente pela sociedade, mas só através do poder político é possível mudar os destinos do povo brasileiro.
É preciso, portanto, que os jovens tomem ações efetivas através do poder político, pois com politização e militância partidária farão fazer valer suas ideias e efetivarão suas ações.
Essa é a continuidade do povo nas ruas que se vê!
Marcus Alves é cronista politico
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