Presidente do PRP-ES
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| Marcus Alves |
O Brasil é um país que abriga um povo pacífico, que pouco registra em sua história manifestações populares tendentes a mudar a realidade sócio-econômico-política desigual.
Em outras partes do mundo tais movimentos são intensos, como o Movimento Negro norte-americano de Martin Luther King, com a “Marcha sobre Washington” de 1963, que reuniu 250 mil pessoas, resultando após alguns anos na conquista de direitos civis e políticos para negros americanos. As diversas manifestações populares contra o regime do Apartheid (1948-1994), África do Sul, que tornou famoso Nelson Mandela e especialmente a partir de 1989 passou a alcançar resultados contra a segregação racial. O “Panelaço”, na Argentina (2001), que levou o povo às ruas, com panelas nas mãos, exigindo a queda do Presidente Fernando De La Rúa, por ter este determinado o confisco dos depósitos bancários da população para conter crise financeira nacional. A “Revolução Amarelo-Laranja” (2007), levou monges budistas a protestarem contra a precária situação econômica de Mianmar (antiga Birmânia), movimento que representou o maior levante popular do Sudeste Asiático. A insurreição popular na Geórgia (2007), que reuniu cerca de 40 mil pessoas nas ruas levando à convocação de eleições parlamentares antecipadas contra o Presidente Mikhail Saakashvili. Os protestos em Teerã (2009), que levaram o povo iraniano às ruas por 10 dias para pedir queda do Presidente Mahmoud Ahmadinejad, que segundo a oposição foi reeleito com fraude e corrupção. Os “Camisas Vermelhas” da Tailândia (2010), reuniram cerca de 65 mil manifestantes por uma semana na capital tailandesa para exigir a renúncia do governo. As manifestações na Tunísia (2011) que levaram o Presidente Zine al-Abidine Ben Ali a renunciar, depois de 23 anos no poder e fugir para a Arábia Saudita. Os protestos no Egito (2011) que obrigaram o Presidente Hosni Mubarak a renunciar depois de 30 anos à frente do governo.
No Brasil, registramos poucas manifestações populares se levarmos em conta suas proporções continentais e sua população diversificada.
Temos a Revolta da Vacina (1904), mobilizada pelo sanitarista Osvaldo Cruz, que para evitar a continuidade das epidemias organizou protestos de milhares de pessoas nas ruas, tornando a vacinação contra a varíola obrigatória. O suicídio de Getúlio Vargas (1954), que com sua carta-testamento fazendo ferrenhas críticas aos seus opositores levou cerca de 3 milhões de pessoas a protestarem nas ruas de várias cidades do país. A “Marcha da Família” que em 1964 arregimentou quase 500 mil pessoas contra o presidente João Goulart e a “Marcha da Vitória”, que poucos dias depois reuniu cerca de 1 milhão de manifestantes para comemorar a queda do Presidente. Os grandes Comícios das “Diretas Já” (1984), que tiveram a participação de aproximadamente 2,5 milhões de pessoas (1 milhão no Rio e 1,5 em São Paulo), tendo sido considerado o maior movimento popular brasileiro, impulsionando a aprovação da nova Constituição Federal de 1988. O “Impeachment” do Presidente Fernando Collor (1992), deflagrado pelo movimento dos “caras pintadas”, reunindo cerca de 750 mil jovens de todo o país.
Em junho/2013 vimos um novo movimento nas ruas de todo Brasil, o “Movimento Passe Livre”, resultado de comunicação “on line” via redes sociais, especialmente Facebook. O movimento começou contra o aumento das tarifas de ônibus e terminaram como um brado contra todos os problemas sociais: saúde deficiente, transporte público precário, pouco estímulo à criação de postos de trabalho, impostos impagáveis, corrupção espalhada por todos os órgãos públicos. Em julho/2013, vimos uma carona ao Movimento tomada pelos sindicatos, cuja repercussão não teve efeito social e econômico.
Apenas 2 anos depois, estamos assistindo agora a outro movimento convocado via redes sociais, que neste domingo (15), leva milhares de pessoas às ruas de todos os Estados e em várias cidade de nosso país. O movimento protesta contra a política econômica instalada logo no primeiro trimestre do segundo mandato da Presidenta Dilma, em razão de aumentos de energia, juros, combustíveis, alterações nos benefícios sociais (seguro-desemprego, auxílio-doença, abono salarial e pensão por morte), alta da inflação e do desemprego, aumento da contribuição previdência para empresas, alta do dólar, rebaixamento de nota de crédito da Petrobrás, greve de caminhoneiros, previsão de queda do PIB, quês se mantiver a projeção, só vai superar a Era Collor (plena recessão e impeachment) e a Era Floriano Peixoto (época de revoltas armadas).
Seria realmente muito bom as demandas populares fossem priorizadas pelos representantes eleitos, tanto do poder administrativo, quanto do legislativo. Normalmente, os tais “representantes do povo” acabam se perdendo na rede de interesses que envenenam os corredores do planalto e do congresso.
Resultado disso: um povo sofrido, oprimido, cheio de necessidades não atendidas, que luta bravamente para sobreviver apesar dos péssimos serviços públicos oferecidos pelo país que registra uma das cargas tributárias mais pesadas do planeta.
O sábio Ulysses Guimarães dizia “a única coisa que mete medo em político é o povo na rua”.
Vamos acompanhar e esperar que a que mobilização do povo mostre que governar não é uma arte em prol de minorias, e sim, da maioria. Que por meio do mandato concedido pelo voto, entendam que governar é um ato de servir, e não de ser servido.
Este é o povo nas ruas que se vê!
