Por Marcus Alves
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| Marcus Alves, Coordenador Político Estadual |
As instituições estão em check em nosso país.
Não bastasse a quebra de confiança do povo nos gestores públicos, nos parlamentares, nos serviços públicos, na destinação de impostos, agora ápice do poder judiciário, o Supremo Tribunal Federal, faz tremer o fiel da balança da justiça em seu desfavor, ferindo de morte a população.
A Ação Penal 470, popularmente conhecida como “Mensalão”, representa nada mais, nada menos, do que o ícone da corrupção política no Brasil, envolvendo Governo Federal, Câmara Federal, Bancos, Empresas e milhões de reais em uma trama tão intrincada que escandaliza até os roteiristas mais criativos.
Com milimétrica apuração que envolveu Polícia Federal, Ministério Público, CPIs, testemunhos e documentos infindáveis, cassações, prisões, renúncias, todos os Ministros do Supremo Tribunal Federal reconheceram a existência do esquema denominado “Mensalão”, coordenado pela cúpula do PT que negociava com parlamentares em troca de apoio ao Governo, pagando pelos votos com dinheiro levantado em operações financeiras fictícias.
O “Mensalão” levou os Ministros do Supremo a condenarem 25 dos 38 réus. Destes 25, 12 réus tiveram divergência de votos pela absolvição, levantando a poeira na semana passada sobre a aceitação ou não dos Embargos Infringentes, recurso retrógrado destinado apenas a rever as teses de votos vencidos nos Acórdãos, cuja aceitação conduz a nova avaliação das provas contra os condenados.
O famigerado recurso, previsto somente no Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, não foi reafirmado pela Constituição Federal de 1988, nem pela Lei 8.038/1990, que regula as ações no STF. Bastaria, portanto, justificar que o recurso não está previsto em lei e sedimentar o assunto.
Mas o decano da Corte, Celso de Mello, e neste caso, depositário da esperança nacional pela moralização da política, preferiu dar vazão a um recurso de legalidade questionável, reabrindo o julgamento do “Mensalão” e devolvendo ao país a sensação de mal e de insegurança que atormentam a tranqüilidade do gigante.
Quantos foram condenados e presos sem a chance desse novo julgamento? Por que então os artífices do caso mais escandaloso de corrupção no Brasil recebem essa benesse?
Claro que a responsabilidade, agora, recai unicamente sobre os ombros do Ministro Celso de Mello. Mas não se pode esquecer os nomes dos outros 5 Ministros coadjuvantes nessa cena de horror: Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli, Rosa Weber, Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso.
Infelizmente para Celso de Mello, seu 6º voto a favor do recurso é o filho feio que tem pai, e um pai que joga fora sua biografia às portas da aposentaria por idade, beatificando o ilícito e manchando a credibilidade do Supremo Tribunal Federal.
O Ministro Celso de Mello declarou à imprensa que “a Corte não pode se deixar levar pelo clamor da opinião pública, nem perder de vista a racionalidade necessária para o cumprimento das normas do Direito.”
Racionalidade? Se houvesse realmente racionalidade nesse voto, o Supremo não teria reforçado sua guarda externa para a sessão desta quarta (18) com acréscimo de 40 homens em seu contingente.
Este integrante do Ministério Público paulista, nomeado Ministro do STF em 1989 por José Sarney (era de se esperar), agora implode num voto de minerva toda a credibilidade construída a duras penas pela Suprema Corte brasileira.
Nas palavras do Ministro Marco Aurélio Mello, citando o autor americano John Steinbeck, “quando uma luz se apaga, fica muito mais escuro do que se nunca tivesse brilhado. A sociedade começou a acreditar no STF e agora, com essa virada no horizonte de se rejulgar, há decepção”.
E nós, o povo, em quem acreditaremos agora? Nos resta o Ministério Público, com sua integridade inabalável; os bravos Bombeiros, com sua dedicação destemida em prol do ser humano.
O que mais falta ruir para o povo se rebelar violentamente num levante sem precedentes, que porá este país desacreditado de cabeça para baixo e arrancará do poder pessoas sem lastro?
Esse é o Supremo que se vê! Esse é o voto que não se viu!

